As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) continuam a representar um desafio relevante de saúde pública em Portugal. Apesar de serem frequentemente associadas a jovens e adolescentes, os dados oficiais demonstram um aumento de diagnósticos também em adultos e população sénior, sobretudo relacionado com a diminuição do uso do preservativo após o fim da idade fértil.
Segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS), muitas DSTs permanecem subdiagnosticadas devido à ausência de sintomas e à perceção errada de baixo risco. Este guia pretende, por isso, ir além da informação básica, reunindo conhecimento científico acessível, dados oficiais e orientações práticas, reforçando o papel das Farmácias Correia Rosa como espaços de informação segura, próxima e confidencial.
Antes de compreender cada doença em detalhe, é importante enquadrar a realidade nacional. De acordo com a DGS:
Estes dados demonstram que a idade não protege contra DSTs e que a prevenção continua a ser essencial em todas as fases da vida.
Este enquadramento ajuda a perceber porque é fundamental conhecer como surgem as DSTs, que microrganismos as causam e de que forma se transmitem.
As DSTs são infeções causadas por microrganismos — vírus, bactérias ou parasitas — que se transmitem sobretudo através do contacto sexual. A transmissão pode ocorrer por:
A seguir, apresentamos as principais DSTs, com explicação clara do agente causador e do meio de transmissão, informação essencial para uma prevenção eficaz.


O VIH afeta o sistema imunitário e pode permanecer assintomático durante anos. Segundo a DGS, o diagnóstico precoce permite controlar a infeção e reduzir drasticamente a transmissão.


O HPV é extremamente comum. A maioria das infeções resolve-se espontaneamente, mas alguns tipos estão associados a cancro. A vacinação é uma das medidas preventivas mais eficazes.


Em Portugal, o rastreio do Vírus do Papiloma Humano (HPV) está integrado no Programa Nacional de Rastreio do Cancro do Colo do Útero, promovido pelo SNS e aconselhado pelas autoridades de saúde. Este rastreio destina-se principalmente a pessoas com colo do útero, com o objetivo de detetar precocemente a presença do vírus e alterações celulares que podem evoluir para cancro. O rastreio começa idealmente aos 25 anos de idade, ou cerca de 3 anos após o início da atividade sexual, e, na ausência de alterações ou história de doença cervical, deve ser repetido de 5 em 5 anos até aos 60–65 anos de idade, conforme as recomendações clínicas em vigor em Portugal.
Este rastreio é realizado através de colheita de uma amostra de células do colo do útero, geralmente numa consulta ginecológica, com análise laboratorial para detetar a presença de HPV de alto risco e alterações celulares precoces. Além dos centros de saúde e unidades de cuidados primários do SNS, os testes podem ser solicitados em consultas de ginecologia em clínicas privadas e unidades convencionadas de saúde, mediante marcação. Em caso de resultado alterado, há encaminhamento para avaliação complementar.
A participação regular neste programa, mesmo na ausência de sintomas, é considerada uma das medidas mais eficazes de prevenção secundária do cancro do colo do útero em Portugal, reduzindo significativamente a mortalidade associada ao HPV.
É frequentemente assintomática. Quando não tratada, pode causar infertilidade e complicações pélvicas, sobretudo nas mulheres.


Pode causar ardor ao urinar e corrimento, mas também pode não apresentar sintomas, facilitando a transmissão.


A sífilis evolui em várias fases. Os sintomas iniciais podem desaparecer sem tratamento, levando a uma falsa sensação de resolução.


A hepatite B é prevenível por vacinação. Ambas podem evoluir para doença hepática crónica.


Após compreender as diferentes DSTs, torna-se evidente que a ausência de sintomas não significa ausência de infeção, o que reforça a importância do rastreio.
Segundo o a DGS, os rastreios permitem identificar infeções antes do aparecimento de sintomas, reduzindo complicações e a transmissão.
Estão disponíveis em Portugal testes rápidos de rastreio para VIH, Hepatite B (VHB) e Hepatite C (VHC), caracterizados por:
A DGS recomenda a realização de testes sempre que exista risco, nomeadamente:
Na zona das Caldas da Rainha e arredores, os rastreios podem ser realizados em unidades do SNS, projetos comunitários de saúde sexual que prestam informação e encaminhamento adequados.
Segundo a DGS, um resultado positivo num teste rápido indica a necessidade de:
O acompanhamento adequado permite controlar a infeção e manter qualidade de vida.
A saúde sexual deve ser cuidada ao longo de toda a vida. Informação rigorosa, prevenção adequada e rastreios regulares são pilares fundamentais para reduzir o impacto das DSTs.
A realização de consultas regulares de saúde sexual e planeamento familiar é um pilar fundamental da prevenção e do acompanhamento ao longo da vida. Estas consultas permitem avaliar riscos individuais, esclarecer dúvidas, atualizar rastreios e vacinas, e identificar precocemente infeções ou alterações que muitas vezes não apresentam sintomas. Para além da prevenção da gravidez, o planeamento familiar engloba a promoção de uma sexualidade segura e informada, adequada a cada fase da vida, incluindo juventude, idade adulta e população sénior. O acompanhamento regular por profissionais de saúde contribui para decisões mais conscientes, redução de comportamentos de risco e melhoria da saúde sexual e reprodutiva global, reforçando a importância de uma abordagem contínua, personalizada e baseada em evidência científica.
A par disso, as Farmácias Correia Rosa estão disponíveis para apoiar a comunidade com informação credível, proximidade e profissionalismo. Visite-nos!


Não. Uma única relação sexual desprotegida pode ser suficiente para transmissão.
Sim. Várias DSTs podem ser transmitidas por sexo oral sem proteção, como é o caso da Sífilis e HPV.
Reduzem significativamente o risco, mas não oferecem proteção absoluta contra infeções transmitidas por contacto pele com pele ou pele mucosa, como é o caso do HPV.
Depende do risco individual. A DGS recomenda rastreios regulares em pessoas sexualmente ativas, sobretudo com novos parceiros.
Sim. A DGS alerta para o aumento de diagnósticos nesta faixa etária.
Não necessariamente. Muitas DSTs são curáveis ou controláveis quando diagnosticadas precocemente.
Nas Farmácias Correia Rosa, onde profissionais de saúde prestam aconselhamento seguro e discreto. No seu centro de saúde e ainda junto de projetos comunitário de saúde sexual como o Acompanha.